sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A Tal da Tolerância

    

   Ao ler a reportagem "A dura vida dos ateus em um Brasil cada vez mais evangélico" (vale a pena ler), da jornalista Eliane Brum, me assustei com a idéia da desconstrução da TOLERÂNCIA por algumas correntes do pensamento religioso. Como pode algo que se propõe a elevar espiritualmente uma pessoa colocá-la em posição de ataque permanente?
  Os fundadores dessas igrejas em galpões e esquinas de pequenas e grandes cidades tentam achar um grande e bom argumento, seja ele qual for, para alienar o maior número de pessoas possíveis.  O próprio discurso, que é berrado de forma ensurdecedora, atingindo os que passam a metros de distância, já diz muito sobre as idéias que ali estão sendo passadas. BERRO NÃO CONVENCE NINGUÉM. 
    Colocar o gene do medo dentro de alguém é aprisioná-lo e não libertá-lo. 

    Já dizia o escritor moçambicano Mia Couto:
  "Há quem tenha medo que o medo se acabe!"
        
 


Trecho:
“O medo foi um dos meus primeiros mestres. Antes de ganhar confiança em celestiais criaturas aprendi a temer monstros, fantasmas e demônios. 
Os anjos, quando chegaram, já era para me guardarem. Os anjos atuavam como uma espécie de agentes de segurança privada das almas. Nem sempre os que me protegiam sabiam da diferença entre sentimento e realidade. 
Isso acontecia, por exemplo, quando me ensinaram a recear os desconhecidos. Na realidade a maior parte da violência contra as crianças sempre foi praticada, não por estranhos,mas por parentes e conhecidos.
Os fantasmas que serviam na minha infância reproduziam esse velho engano de que estamos mais seguros em ambiente que reconhecemos.
Os meus anjos da guarda tinham a ingenuidade de acreditarque eu estaria mais protegido apenas por não me aventurar para além da fronteira da minha língua, da minha cultura, do meu território. O medo foi afinal o mestre que mais me fez desaprender…”

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